sábado, agosto 14, 2010

DA JANELA

Foto : Google



Tenho o costume de ficar à janela do meu "escritório", observando o que se passa lá fora. No verão, quando o sol e o calor me obrigam a saltar mais cedo da cama, vou para a janela e vejo pessoas, muitas pessoas, fazendo a sua caminhada. Vêm sozinhas, em grupo, e há delas que vão trotando, ou até correndo. Gente de várias idades. Mais tarde, depois de dar uma passada pelo computador e tomar o café, volto à janela. As funcionárias de um escritório de advocacia vão chegando, uma a uma,  para o trabalho. Usam o mesmo tipo de vestuário, como se fosse um uniforme. Se chego um pouco antes, ainda consigo ver adolescentes dos dois sexos indo para a escola. A rua já se faz barulhenta, com o trafegar de ônibus, carros, motos e suas buzinas. E gente passando apressada para enfrentar a luta cotidiana.
No inverno, em dia que chove forte, o trecho da rua se transforma em um pequeno rio. Os veículos trafegam com cuidado, mas já vi um ou outro que não conseguiu atravessar o aguaceiro e ficou ali parado. Mas se a chuva não é prolongada, pouco tempo depois a água é escoada, restando apenas a lama.

Veem-se coisas curiosas, bizarras. Uma vez apareceu uma mulher, já bem entrada em anos, fazendo a sua caminhada vestindo um... maiô! Tibes! Outra vez, era feriado, um cavalo permaneceu um bom tempo "pastando"
                                                                                                                      
em um canteiro, indiferente à passagem de veículos, Fiquei observando aquele animal, que devia estar se sentindo em um local tão diferente daquele a que está acostumado. Tive que atender um telefonema e, ao volta, o cavalo tinha ido embora. Talvez estivesse em outra rua, atrapalhando o curso dos veicúlos, disputando lugar com aquelas coisas estranhas e barulhentas.
Ainda estamos na época das chuvas, embora elas já não apareçam com muita frequência. E que prazer sinto quando, noite avançada, estou a ler um livro na minha cadeira de balanço, escutando o som da chuva! Em certo momento suspendo a leitura, me levanto e vou para a janela. A água caindo por sob a luz dos postes proporciona uma visão de pura beleza. Olho para os dois edifícios vizinhos, à minha frente. Estão quase às escuras, só em três, quatro janelas vê-se a claridade de um aparelho de televisão. E prazer maior sinto quando vou me deitar e a chuva continua, mantendo o friozinho gostoso, convidando- me ao sono.

11 comentários:

Jota Effe Esse disse...

Meu amigo Francisco Sobreira, as janelas têm muitas estórias para contar: muitas de insônia, muitas de curiosidades, e outras tantas de pura e fina observação dos tupos humanos e suas extravagâncias. Meu abraço, e contunue com esse bom hábito.

tb disse...

As janelas e seus segredos desvendados por quem sabe.... :)))
e eu gosto de vir cá "ouvir" esses segredos. :)))
beijo afectuoso, querido amigo

Ilaine disse...

Que delícia. Francisco, eu gosto muito de janelas. Lembro da época da faculdade - faz tempo - íamos para a aula a pé e tomávamos sempre o mesmo caminho. Em um dos apartamantos, descobrimos um senhor idoso que sempre estava na janela ao passarmos, e ele sorria. Com o tempo, encontrar com ele já fazia parte de nossa trajetória. Ele esperava por nós, sempre com o chimarrão na mão. Criamos laços com o este senhor, sem nunca, nunca termos trocado uma única palavra.
Beijo

Fernanda disse...

Amigo Francisco!
Cá estou :))))
Verei logo que me seja possível o máximo de textos, de momento não me é possível...
Lamento que se tenha perdido o meu comentário quando caí aqui de para-quedas!!!
Não há volta a dar-lhe. Cada momento é único e irreversível...

As janelas...ai as janelas!
Amigo vivo numa casa - a do Rau, com onze janelas.
O engenheiro que me fez o projecto...sim o engenheiro, não arquitecto, o meu primo José Rodrigues...sempre me dizia ' Olha que depois não tens onde colocar os móveis, nem encostar sofás!"...
Não preciso de móveis, gosto de tudo o que tem a ver com minimalismo...preciso é de luz, de sol e de ar puro!

De todo os cantos da casa há uma perspectiva diferente do exterior...lindo, verde, ruby, de maceiras, de prunos, de tuías, de azul celeste, de verde água, de todas as cores...

As janelas são, para o ser humano normal, também a expressão da alma...
Um olhar penetrante, meigo, felino, apaixonado, terno, tudo o que possamos imaginar.

Janelas são como sorrisos da alma
Que nos trazem luz
Nos trazem calma!

O sorriso são as minhas janelas,
Que se abrem para ti
Todas belas!
Todas singelas!

Beijinho

Claudinha ੴ disse...

Olá Sobreira...
Quanto as janelas nos mostram. Sempre tive minhas experiências em noites de saudades que eu já sentia na adolescência e jamais entendi porquê. Sou saudosa desde que nasci. Tenho as minhas fotografadas e marcadas com sinais de quando era criança e "controlava o sol" por meio de riscos na madeira. As pessoas que passam , o que se passa. Eu também gosto de observar. Também gosto do som da chuva, do cheiro de terra molhada, mas só quando posso ficar em casa.Aconchego é a palavra que me vem sobre seu post. Gostei!
Um beijo!

Claudinha ੴ disse...

Olá Sobreira...
Quanto as janelas nos mostram. Sempre tive minhas experiências em noites de saudades que eu já sentia na adolescência e jamais entendi porquê. Sou saudosa desde que nasci. Tenho as minhas fotografadas e marcadas com sinais de quando era criança e "controlava o sol" por meio de riscos na madeira. As pessoas que passam , o que se passa. Eu também gosto de observar. Também gosto do som da chuva, do cheiro de terra molhada, mas só quando posso ficar em casa.Aconchego é a palavra que me vem sobre seu post. Gostei!
Um beijo!

Marco disse...

Caro amigo Sobreira,
que beleza de crônica! "O homem na Janela". Imagino uma outra crônca, desta vez escrita pelo ponto de vista de quem passa e vê aquele homem sempre na janela, a ver o filme do mundo...
Ver as modas pela janela, como se dizia antigamente, é comportamento bem do tempo do Onça. Antigamente, as janelas tinham uma grade de treliça, que permitia que se visse de dentro para fora, mas não de fora para dentro. As pessoas queriam privacidade nesse olhar as modas. Por trás de toda janela há segredos, que se não dá para descobrir, pelo dá para se inventar.
Carpe diem. Aproveite o dia e a vida.

Fernanda disse...

Amigo Francisco!

Voltei para saber novidades! Saber de si!
Ao ver Charles Chaplin, lembrei-me que, ontem à noite, fui ver um espectáculo lindo, ao ar livre, em Caminha - perto de onde vivo, no Norte de Portugal, e a dupla de cantores (casal- ele português e ela cubana cantou entre muito belos, o Smile de Charles Chaplin.

Sabe que eu conhecia a canção...mas não sabia quem era o seu autor???

É bela demais:

"Smile
Charles Chaplin
Composição: Charles Chaplin

Smile, though your heart is aching
Smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky
You'll get by...

If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile if you'll just...
Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just...

If you smile
With your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just Smile...

That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you'll just Smile."

Então...e porque concordo 100%, a vida só tem valor se sorrirmos.

Beijinhos

Na Casa do Rau /

Contos e Lendas/

Sempre Jovens /
e mais....

Quando quiser explicou-lhe como se faz o link.
Ninguém nasce ensinado (^_^)!

Vanuza Pantaleão disse...

Se queremos refletir e um lugar à janela, aqui o encontramos...

Por acaso, fiz uma foto abrindo uma janela da minha casa. Por acaso? Janelas da alma não existem por acaso.

Um texto lindo, bom para ficar pensando, pensando...

Abraços, Sobreira!!!

DILERMArtins disse...

Mas bah, Sobreira.
Lendo sua crônica ocorreu-me que a janela é precursora do cinema e da tv; afinal "da janela" é possível assistir dramas e comédias que passam assim, sem roteiro, em bruto, ao vivo, mostrando sem pudores o melhor e o pior do nosso quotidiano.
Abração.

Vanuza Pantaleão disse...

É verdade, amigo, essa da janela foi uma boa e feliz coincidência.

Reli seu post e gostei mais ainda.

Parabéns!!!
Abração!!!