quarta-feira, janeiro 23, 2008

MACHADO DE ASSIS & WILLIAM WORDSWORTH


Quem leu "Memórias Póstumas de Brás Cubas" deve se lembrar de um capítulo intitulado "O menino é o pai do homem". Ali pela quinta ou sexta linha do primeiro parágrafo, Machado escreveu: "Um poeta dizia que o menino é o pai do homem". Quem era o poeta, o escritor não diz. É estranha a omissão do nome do autor da frase, principalmente por não ser um costume de Machado, que não deixava de informar a fonte de um uma frase, ou uma palavra. Às vezes, se não creditava o autor, o fazia com a obra, certamente por ser esta muito conhecida, como alguma peça famosa de Shakespeare, "A Divina Comédia", "Dom Quixote", etc. Mas nesse caso, o personagem-narrador menciona apenas e vagamente "um poeta". Nem a nacionalidade do poeta é dita. Qual o motivo? Machado não se lembrava do nome do poeta e entendeu que não era importante procurar o livro, que, provavelmente, ele possuía? Ou preguiça de procurá-lo? É possível.
Bem. Há uns dois meses, mais ou menos, lendo o blogue de Marcelo Coelho na Folha Online, há um texto do editor em que ele fala sobre a frase escrita em "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e revela o nome do poeta. Trata-se do romântico inglês William Wordsworth. Marcelo Coelho ainda faz mais. Informa o título do poema ("My Hearth Leaps up When I Behold") e publica no blogue. Não sei se de forma integral, ou apenas a parte do poema de que faz parte parte a frase do livro de Machado. Transcrevo-o a seguir.
My heart leaps up when I behold
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
I cloud wih my days to be
Bould each to each by natural piety.
De todo modo, Machado, cujo centenário de morte ocorre este ano, ainda que devesse ter citado Wordsworth, pelo menos não deu para si a autoria da frase. Já Guimarães Rosa não procedeu da mesma forma. Sabem a famosa frase "viver é muito perigoso", que aparece no seu "Grande Sertão:Veredas"? Ela pertence a Goethe. Já contei isso aqui, mas vou contar de novo. A revelação é de Rubem Braga numa pequena crônica (não me recordo de qual livro dele). Um escritor mineiro, que não é mencionado (talvez ele estivesse vivo, na época, e Rubem evitou uma possível polêmica), lendo Goethe, descobriu a frase. "Viver é muito perigoso". O nosso maior cronista não informa se o dito faz parte de um romance , ou de um poema do escritor alemão. E para não acusar Rosa de plágio, ele encerra a crônica dizendo mais ou menos assim (cito de memória e a minha memória já anda me pregando algumas peças) : que era próprio de Rosa, por exemplo, misturar Goethe com o sertão mineiro.

5 comentários:

Jacinta disse...

Venho aqui e faço minha colheita. Isso mesmo. Fico feliz cada vez que lhe faço uma visita. E quando recebo a sua no meu florescer, meu coração acelera de contentamento.
Mas que viver é perigoso, ah isso é. E agora sei que é muito perigoso e tive mais uma magnifica aula. Obrigada.
Um abraço
Jacinta

Anônimo disse...

trabalho e pesciso do poema inteiro será q ñ da pra vc colocar???E aproveita e coloca em português!!




*A propósito o que é:wih
I cloud wih my days to be??

Anônimo disse...

presciso fazer um trabalho e pesciso do poema inteiro será q ñ da pra vc colocar???E aproveita e coloca em português!!




*A propósito o que é:wih
I cloud wih my days to be??

Daniel Moutinho disse...

Fernando Sabino usa essa frase, "O menino é o pai do homem", como epígrafe do romance "O menino no espelho" (1982). Lá você poderia ter encontrado a referência do autor.

josé roberto balestra disse...

Perdoe-me, mas há alguns equívocos na transcrição do poema, que em verdade deve ser posto assim:

"My heart leaps up when I behold
A rainbow in the sky:
So was it when my life began;
So is it now I am a man;
So be it when I shall grow old,
Or let me die!
The Child is father of the Man;
And I could wish my days to be
Bound each to each by natural piety."

Abraços.