sexta-feira, outubro 05, 2007

UM FILME, UMA MÚSICA, UMA QUADRINHA


Foto retirada do saite http://expresso.clix.pt/

1) A morte recente do mímico francês Marcel Marceau me remeteu à lembrança do filme de Mel Brooks "Silent Movie" (1976), que, no Brasil, recebeu o título "A Última Loucura de Mel Brooks". É um filme com uma proposta curiosa, que, se não fosse pela irreverência do diretor, poderia ser vista como uma homenagem ao cinema mudo, já expressa no título. E talvez até o seja. É que o filme é sonoro, mas não é falado. Não há falas dos personagens na trama, mas a inserção de intertítulos, como ocorria nos filmes mudos. E por que "Silent Movie" me fez lembrar de Marcel Marceau? Porque ele tem uma participação especial no filme, ao lado de Burt Reynolds, James Caan, Liza Minnelli, Paul Newman e Anne Bancroft, então esposa de Brooks. E a presença de Marceau enseja a maior sacada de "Silent Movie". Ele aparece ao telefone, substituindo a fala pela mímica. Até que em um determinado momento ele grita um "NÃO". É a única fala do filme, dita ironicamente por um artista que se expressava pela mímica. Sem dúvida, um lance inteligente de Brooks, que também escreveu o roteiro. É o seu melhor trabalho como diretor e a curta participação de Marcel Marceau é um dos elementos responsáveis pela qualidade de "Silent Movie".
2) No gigantesco cancioneiro da MPB, não me lembro de uma música de uma fortuna humana, que chega a comover, como "Amigo É Pra Essas Coisas", de Sílvio Silva Júnior e Aldir Blanc. E a estrutura da letra é bem original, ao criar um diálogo entre dois amigos que há muito tempo não se viam, à mesa de um bar. Um deles passa por um momento muito delicado, está despencando para o fundo do poço, envelhecido, desempregado e tendo perdido o amor de Rosa. O outro, melhor de vida, lhe paga bebida, chega a lhe oferecer dinheiro e procura confortá-lo, levantar-lhe o ânimo. Há um momento da conversa em que não vendo uma perspectiva de recuperar o amor de Rosa, o coitado confessa que gostaria de morrer, na esperança de que a sua morte a fizesse sofrer, ao que prontamente o outro reage contra a idéia: "vá atrás"... (A expressão indica que não é para ele ir procurar a mulher, mas que o ato dele não irá surtir o efeito esperado.) O título provém de uma frase do amigo em melhor situação, após o outro lhe agradecer por ter sido ouvido. Que nada, "amigo é pra essas coisas". Um grande exemplo de amizade, de solidariedade a quem está na pior.
Agora me lembro de "Antonico", um samba de Ismael Silva, em que um homem pede a esse Antonico "uma viração pro Nestor, que está vivendo em grande dificuldade". Menciona as qualidades do amigo, integrante de uma escola de samba. É também uma música de forte conteúdo humano, de grande solidariedade, mas sem possuir o vigor de "Amigo È Pra Essas Coisas". E enquanto a música de Ismael, um dos nossos melhores compositores, é um monólogo, já que o interlocutor permanece mudo, a outra é um comovente diálogo entre dois amigos, valorizada pela interpretação do MPB 4.
3) Não sei se os amigos/amigas deste blogue conhecem a quadrinha. Eu a ouvi uma única vez, dita por uma das minhas irmãs, na minha infância, e nunca a esqueci. Não sei se é de um poeta popular, ou se de um anônimo. Há tantas delas de cujos autores não se tem conhecimento. Uma quadrinha simplezinha, como ocorre com todos elas, mas de uma agudeza de conteúdo, que a torna cativante. Ela diz assim:
"Um surdo ouviu
Um mudo dizer
Que um cego viu
Um coxo correr".


3 comentários:

Lili disse...

ngpqjdFoi mesmo uma grande perda...tive o privilégio de assistir Marcel Marceau, com sua arte sem palavras, no Teatro Municipal do RJ.
Olha que isso já tem uns vinte anos! É, o tempo realmente é um senhor danado...
Beijo

Lili disse...

Foi mesmo uma grande perda...vc sabe que tive o privilégio de assistir Marcel Marceau, com sua arte sem palavras, no Teatro Municipal do RJ.
Olha que isso já tem uns vinte anos! O tempo realmente é um senhor danado...

Sandra Leite disse...

Adorável seu espaço:-)
Arte, arte, arte. Virei aqui sempre !!!

beijos