quarta-feira, novembro 01, 2006

A POESIA DE LETÍCIA TORRES


Este espaço é hoje ocupado por Letícia Torres, uma nova poeta que surge no Rio Grande do Norte, que logrou a segunda colocação no Segundo Concurso de Poesia Zila Mamede. Ela nasceu em Caicó, mas mora em Natal desde criança e trabalha em publicidade. Os 2 poemas aqui publicados fazem parte do livro que apresentou os poemas dos 3 primeiros colocados e de outros candidatos que receberam uma Menção Honrosa. A edição, deste ano, é da Potiguar Notícias Gráfica e Editora. Eis os poemas.
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O BARULHO DO TEMPO
Começa a chover em cada cor dos sonhos que não consegui ter.
As tintas escorrem lavando meus cabelos curtos como se fossem roupas.
Sinto uma pressa que só se acalma na advertência
Nada pode ser afirmado sem que uma questão surja como toda solução.
Os dias não pedem licença.
O tempo vai passando com a impressão de que se indispõe aos pensamentos.
A consequência mora no antes?
Percebida em seu erro, se mostra no depois de nossas vidas?
Quero a confusão de tudo o que de tão perto finalmente faz silêncio.
Conhecer o vazio é criá-lo desabitado?
O barulho dos passos se solta dos pés
Para em nós carregarmos o relento do mundo.
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A CRÍTICA DO DESESPERO
A palavra "desespero" fala dos que cansaram?
Ou dos que inconformados com a falta que sentimos
Não conseguem desistir?
Talvez esse começo seja resposta para uma resposta que demora.
O que assumimos no instante em que a vida nos alcança?
Fundamentada em equivocados avisos
A proteção se mostra frágil se nos chamam pelo nome.
Para o disfarce usamos como biombo as idéias dos outros.
Absorvemos na ânsia do vazio que nunca pára de doer.
Transformados em repetição como desmascarados pelos sentidos
Assim nenhum instinto é aceiyo como revelação.

Um comentário:

PHYLOS disse...

Bons textos, parabéns. Blog muito bem montado e de bom gosto.